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ANTONIO PENTEADO
MENDONÇA
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Em
princípio este tema é velho. Afinal, desde o final do século
19 que as empresas européias e norte-americanas contratam
regularmente os mais diversos tipos de seguros para garantirem
suas operações e seu patrimônio.
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No Brasil também
não tem nada de novo falar em seguros empresariais. Eles estão
aí, e até meados da década de 80 eram o carro chefe da
atividade, o filé-mignon pelo qual as seguradoras brigavam, o
diferencial entre ser uma companhia de seguros respeitável ou
não.
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Então, por que
estou retomando o tema? Porque existem seguros e seguros, e
empresas e empresas, e volta e meia uma empresa que se julgava
bem segurada, depois de um sinistro, descobre que não tinha
cobertura para os riscos que efetivamente a ameaçavam.
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Risco é coisa
séria e seguro é um contrato com condições específicas
quanto à responsabilidade de cada uma das partes. Portanto,
antes de qualquer pessoa contratar um seguro, é indispensável
ela saber quais os riscos que efetivamente a ameaçam, que
providências pode tomar para minimizar o impacto de um sinistro
e quanto ela pode gastar para se proteger no caso de sua
ocorrência.
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Se decisões desta
natureza são difíceis de serem tomadas com relação aos
riscos individuais, o que dizer dos riscos empresariais. Uma
empresa, por menor que seja, tem tipicidades que fazem que a
análise criteriosa dos eventos que podem afetá-la seja única
e diferente da de qualquer outra empresa, por mais semelhante
que as duas sejam.
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Existem
particularidades que diferenciam a forma como as compras são
feitas, os estoques administrados, as matérias primas
utilizadas, o produto final comercializado. Diferenças que se
tornam mais acentuadas quando pensamos que as empresas hoje não
são apenas "indústria e comércio", mas que o setor
de serviços é o que mais tem crescido no mundo e que sua
abrangência é quase ilimitada, aumentando exponencialmente os
riscos que podem ameaçar quem está nele.
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Diante desse
quadro, minha primeira recomendação é que todo empresário
tenha um corretor de seguros profissional, competente e
preparado para auxiliá-lo a tomar as decisões necessárias
para proteger eficazmente seu negócio, independentemente do
tamanho ou do setor de atividade.
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Para mostrar que o
tema envolve decisões complexas, começo lembrando que todo
mundo, quando pensa em seguro, pensa em primeiro lugar no seguro
de incêndio. Mas será que um incêndio é o risco mais sério
que pode ameaçar uma empresa de segurança? Será que uma
empresa de desenvolvimento de software também tem neste risco o
grande gargalo que pode paralisar suas atividades?
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Em contrapartida,
será que uma padaria ou uma metalúrgica podem deixar de ter
seguro de incêndio? E será que todas elas não precisam de
seguro de responsabilidade civil?
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Este é um seguro
que no Brasil ainda é pouco difundido, mas que é essencial
para toda e qualquer empresa, pelo tamanho dos riscos envolvidos
na simples existência do estabelecimento, em suas operações e
nas conseqüências delas.
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E o seguro de
responsabilidade civil é um seguro sofisticado, com garantias
exatas, que não indenizam o que não estiver definido como
coberto. Por outro lado, os
riscos de transporte, com o aumento da criminalidade, já se
tornaram tão comuns de se transformarem em sinistros que a
contratação dos seguros passou a ser muito mais difícil, com
limitações e exigências que, se não forem cumpridas,
desobrigam as seguradoras do pagamento das indenizações.
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E os riscos em
função da localização das empresas raramente são levados em
conta, deixando seu patrimônio sujeito a eventos cada vez mais
comuns, como a queda de aeronaves, não mais apenas próxima dos
aeroportos, mas nas rotas e regiões que sobrevoam. Além disso,
enchentes acontecem regularmente e vendavais também, para não
falar no impacto de veículos contra imóveis.
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Como se vê, o
tema é mais complexo do que parece e merece atenção especial
do empresário que pretende ser bem sucedido.
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Quando se pensa em
proteção de risco é importante se ter claro que o seguro
minimiza prejuízos, mas não evita os eventos que podem causar
os danos que ele irá indenizar. O seguro é uma ferramenta que
atua depois da perda, portanto, as medidas de prevenção que
possam ser adotadas antes, para anular ou minimizar os riscos
que ameaçam um determinado negócio, são sempre mais
interessantes do que a simples contratação de uma apólice.
Com elas é possível evitar que um evento cause danos e,
portanto, dispensar a contratação de um seguro, economizando
dinheiro para investir no desenvolvimento do próprio negócio.
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Nem sempre um
risco pode ser completamente anulado, mas mesmo nesses casos é
importante conhecer o prejuízo possível, antes de contratar um
seguro para minimizá-lo. Pode ser que o seguro custe mais caro
do que a indenização que ele poderá pagar. Pode ser que os
bens em risco não compensem um seguro.
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Pode ser que a
maior ameaça ao bem não ocorra naquela determinada região,
ou, se ocorrer, não tem condições de atingi-lo. Só depois de uma
análise profunda das ameaças efetivas que pesam sobre o
patrimônio ou a capacidade operacional da empresa é que é
possível determinar quais medidas de proteção podem ser
tomadas e quais riscos devem ser transferidos para o seguro.
Esta regra é válida para qualquer tipo de atividade, seja uma
grande companhia, seja uma biboca perdida no fundo de uma
favela.
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Mas, ainda que
sendo a última instância de proteção do negócio, seguro
não deve ser visto como despesa. Ele não é. Pelo contrário,
a apólice de seguro corretamente dimensionada é a forma de
proteção mais eficiente e mais barata que existe, daí sua
utilização generalizada em todos os cantos da terra, desde os
países ricos, até os mais pobres.
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Portanto,
economizar na contratação de seguros não é uma medida de
economia, mas assumir inadvertidamente um risco dramático,
capaz de ameaçar a continuidade do negócio.
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Qual o sentido de
fazer mal feita uma coisa que pela própria essência deve ser a
mais perfeita possível? Da mesma forma que é impensável
construir um dique para conter um rio caudaloso com material de
segunda categoria, não tem cabimento contratar um seguro
"meia boca". Inclusive porque a indenização de um
seguro mal feito pode não ser paga, ou pode ser paga em valores
tão baixos que não justifiquem sua contratação.
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Com o auxílio de
um corretor de seguros profissional e especializado no tipo de
negócio que a empresa realiza, o empresário tem acesso a toda
uma gama de soluções que sem essa assessoria ele não teria
sequer conhecimento, variando desde as medidas preventivas,
destinadas a minimizar sua exposição aos principais riscos que
ameaçam o negócio, até a contratação dos seguros adequados
às necessidades de indenização, no caso da ocorrência de
sinistro.
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Seguros que, ainda
que sendo semelhantes, podem ter diferenças expressivas na
forma de indenizar, por conta da diversidade de tipos de
cobertura e garantia.
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O seguro
tradicional, e que é lembrado quando se fala em seguro
empresarial, é o seguro de incêndio. Sem dúvida nenhuma é um
seguro de que toda empresa necessita, porque não há empresa
que não tenha sede e que não tenha algum bem sujeito aos
estragos causados por um incêndio.
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Justamente por ser
quase que uma necessidade universal, a cobertura de incêndio se
transformou no pilar onde as seguradoras amarram um rol de
outras garantias, que, pelo tamanho e pela demanda, não
poderiam ser comercializadas individualmente, por não terem
massa de prêmio suficiente para fazer frente aos sinistros.
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Colocando-as como
garantias acessórias na apólice de incêndio, ou nos pacotes
multirriscos, onde o incêndio também é a garantia básica, as
seguradoras tornam-nas economicamente viáveis, já que a
totalidade do prêmio daquele determinado seguro dará o suporte
para as coberturas que de outra forma não teriam como ser
oferecidas para os segurados. Por outro lado, estas garantias
são as mais variadas possíveis e abrangem um grande leque de
riscos. Em função disso, ao contrário da garantia de
incêndio que é obrigatória, elas são opcionais. O segurado
pode ou não contratá-las, em função de suas necessidades de
proteção.
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Dando exemplos:
entre as garantias opcionais das apólices de incêndio, existem
diferentes tipos de cobertura para explosão. Será que um
escritório de advocacia precisa delas? Por outro lado, entre
elas existe uma que garante a recomposição de documentos.
Será que uma marcenaria necessita dela? E assim por diante.
Daí a importância da assessoria do corretor de seguros. Ele
vai apresentar as diferentes apólices que servem para o risco
e, dentro delas, escolher as garantias necessárias para fazer
frente à possibilidade de um sinistro.
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Retomando o
exemplo de um escritório de advocacia, sem dúvida nenhuma
incêndio é um risco concreto. Da mesma forma a destruição de
documentos no caso de um incêndio também pode ser uma ameaça
séria. Mas será que algum deles é maior do que o risco de
responsabilidade civil profissional da sociedade? Os bens
passíveis de destruição no caso de fogo e os custos de
recomposição de documentos podem ser quantificáveis e podem
mesmo ser suportáveis, sem necessidade de seguro. Mas será que
os sócios de um escritório de advocacia têm fortuna para
arcarem com um erro profissional que faça um grande cliente
perder uma grande causa?
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Esta situação
pode ser estendida para qualquer outra atividade profissional,
ou empresarial. Nela se vê que é indispensável fazer a
análise dos riscos concretos que ameaçam cada negócio, antes
da contratação dos seguros.
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Vários deles
podem ser minimizados de formas mais baratas do que através de
uma apólice de seguro, e outros podem não ter uma importância
relativa que justifique medidas de proteção com alto custo.
Mas, com certeza, independentemente do tipo de negócio, sempre
haverá riscos que não podem ser suportados integralmente pela
empresa, e aí não transferi-los para uma seguradora pode
significar ter sobre a cabeça uma ameaça fatal, porque um
sinistro significará a quebra da firma.
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O Brasil tem mais
de 20 seguros empresariais obrigatórios. Infelizmente, pouca
gente sabe, porque, mesmo sendo obrigatórios, não há qualquer
penalização para quem não contratá-los. O resultado é que,
enquanto os prejuízos do 11 de setembro tiveram US$ 50 bilhões
em indenizações pagas pelas seguradoras, no Brasil um número
imenso de empresas fecha, por não fazer seguro e acontecer o
sinistro. Portanto saber o que ameaça o negócio e as medidas
para protegê-lo, mais que um ato de gestão, é uma ação
inteligente.
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